1. Introdução
Nos últimos anos, relatos científicos e manchetes internacionais despertaram curiosidade e até espanto: a África estaria a dividir-se em dois continentes, abrindo caminho para um novo mar. A ideia parece saída da ficção científica, mas tem base real na geologia moderna. O que está a acontecer no subsolo africano é um dos processos naturais mais fascinantes do planeta — lento, poderoso e observado em tempo real pelos cientistas.
1.1. O Que Está Realmente a Acontecer no Continente Africano
A África é atravessada por uma gigantesca estrutura geológica chamada Sistema do Vale do Rift da África Oriental. Trata-se de uma extensa zona de falhas que se estende do Chifre da África (Etiópia e Eritreia) até o sudeste africano, incluindo Quénia, Tanzânia e Moçambique.
Nessa região, a crosta terrestre está a esticar e afinar, um sinal clássico de que o continente está a sofrer um processo chamado rifting continental — o primeiro passo para a separação de massas continentais.
1.3. Placas Tectônicas em Movimento
Do ponto de vista científico, a África não é uma placa única. Ela está a dividir-se lentamente em duas grandes partes:
Placa Nubiana, que inclui a maior parte do continente
Placa Somaliana, que engloba o leste africano
Essas duas placas estão a afastar-se a uma velocidade muito pequena — alguns milímetros por ano, aproximadamente a mesma taxa de crescimento das unhas humanas. Parece insignificante, mas ao longo de milhões de anos, esse movimento muda a geografia do planeta.
1.4. O Possível Nascimento de um Novo Mar

Se o processo continuar, os cientistas explicam que a crosta pode romper completamente, permitindo que águas do Oceano Índico ou do Mar Vermelho inundem a fenda. O resultado seria o surgimento de um novo mar ou até um novo oceano, semelhante ao que aconteceu no passado com o Mar Vermelho
1.5. O Oceano Atlântico, que separou África e América do Sul
Neste cenário distante, partes do leste africano poderiam tornar-se uma nova massa continental ou grandes ilhas.
Eventos Visíveis: Fendas, Vulcões e Terramotos
Em alguns pontos do Rift, os sinais já são visíveis. Fendas profundas surgiram em países como o Quénia, acompanhadas por atividade vulcânica e pequenos sismos. Esses eventos não significam uma separação iminente, mas confirmam que o processo geológico está ativo.
A região também abriga alguns dos vulcões mais antigos e importantes da África, reforçando a evidência de que o manto terrestre está a empurrar a crosta para cima e para fora.
1.6. Isso Vai Acontecer em Breve?
A resposta curta é: Não.
A resposta científica é: só em escala geológica.
Estamos a falar de um processo que pode levar 5 a 10 milhões de anos, ou até mais. Não é uma ameaça imediata, nem algo que vá alterar a vida das gerações atuais. Além disso, há sempre a possibilidade de o processo abrandar ou não se completar totalmente, como já aconteceu noutras regiões do planeta.
2. Conclusão
A África não está a “partir-se” de forma repentina, mas está a evoluir, como sempre fez ao longo da história da Terra. O possível nascimento de um novo mar africano é um lembrete poderoso de que os continentes não são fixos — eles movem-se, transformam-se e reescrevem o mapa do mundo ao longo do tempo.
Mais do que um alerta, este fenómeno representa uma aula viva de ciência, mostrando que o planeta está em constante mudança. A África, berço da humanidade, continua também a ser um laboratório natural da evolução geológica da Terra.

